Cuidar de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma experiência intensa, linda e desafiadora. Mas muitas mães esquecem de algo essencial: sua própria saúde mental. E quando a mãe desmorona, todo o sistema da casa desestabiliza. Por isso, aprender a equilibrar autocuidado e rotina é tão importante quanto qualquer intervenção terapêutica.
A carga emocional da maternidade atípica
As mães de crianças com TEA vivem uma mistura de amor profundo e esgotamento constante. Entre terapias, crises sensoriais, adaptações de rotina e decisões difíceis, o desgaste emocional é real.
Como especialista, e após acompanhar muitas famílias, vejo um padrão: a mãe só pede ajuda quando já está no limite. Reconhecer sinais de exaustão — irritabilidade, culpa, dificuldade de dormir, choro frequente — é o primeiro passo para atuar antes do colapso.
Exemplos práticos do dia a dia
- Atrasar o próprio almoço para terminar uma atividade com a criança.
- Cancelar compromissos pessoais porque a rotina mudou de última hora.
- Colocar todo o foco no desenvolvimento da criança e nenhum no próprio descanso.
Essas pequenas renúncias se somam e viram um peso enorme.
O que é autocuidado real — e o que não é
Muitas mães acham que autocuidado é “spa”, “silêncio” ou “tempo livre”. Na maternidade atípica, isso é raro. Autocuidado aqui significa práticas simples, possíveis e consistentes.
Exemplos práticos de autocuidado real:
- Micro-pausas de 5 minutos para respirar e reorganizar a mente.
- Rotinas previsíveis que reduzem caos mental.
- Conversas com outras mães atípicas, criando troca e entretenimento.
- Delegar tarefas, mesmo que pequenas (arrumar mochila, dobrar roupas).
- Limitar a própria autocobrança, entendendo que nem todos os dias serão produtivos.
Essas atitudes fortalecem a saúde emocional sem exigir grandes mudanças.
Como equilibrar autocuidado e cuidados com o filho com TEA
A chave não está em separar o autocuidado da rotina com o filho — e sim em integrá-lo.
Passo a passo que funciona na prática
- Defina um limite diário não negociável (ex: 10 minutos de pausa, banhos demorados, leitura rápida), um café com amigas.
- Simplifique a rotina usando listas visuais, e divisão de tarefas.
- Envolva o parceiro, avós ou amigos, mesmo que uma vez na semana.
- Use as terapias como pausa para você — enquanto a criança está atendendo, você respira.
- Celebre progressos, por menores que sejam. Isso reduz a sensação de que nada muda.
Como profissional que acompanha famílias, percebo que quando a mãe se cuida, a criança evolui mais rápida e emocionalmente segura. A conexão melhora, a paciência aumenta e os momentos difíceis ficam mais leves.
Conclusão
Cuidar da saúde mental não é luxo — é necessidade. E não é egoísmo. Uma mãe emocionalmente estável se torna uma base firme para a criança com TEA crescer com segurança, rotina e afeto.
Agora é sua vez: qual pequeno hábito você pode adicionar HOJE para cuidar de você?
Se quiser continuar aprendendo, veja meus outros conteúdos sobre maternidade atípica, autocuidado e desenvolvimento infantil no TEA.
